segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Estagnação

Quando a vida pára
e você se dá conta de que ela parou,
tudo que você até agora carregou
queda-se inerte.
Porque a vida pára.

Da irresignação com a vida,
Você sai em busca do teu eu,
o interior pra onde nunca deveria ter olhado.
Tudo, porque a vida pára.

Você sorri, você experimenta,
você ouve, você senta.
Até que não mais aguenta,
porque a vida pára.

Pára de ser monótona,
pára de ser mesquinha,
pára de ser torta...
Simplesmente, a vida pára.

Seus páreas não te compreendem,
mas tudo que começa tem um fim.
Obviedade maior não existe.
Mas em não acreditar, você insiste.

Desiste. Vai e segue teu caminho.
Porque a vida pára, e tudo que pára recomeça.
Descarrega todas tuas mágoas.
E segue em frente,
pois tudo tem um preço.
Até que, novamente,
a vida pára...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um passeio, uma noite nublada e uma conversa esfumaçada

Nada mais sei de ti que não o velho e preocupado semblante com que me fitava distintamente daquele canto escuro; nada sinto mais de ti, que não o cítrico perfume que outrora dominava o ar.

Nada mais tenho por ti que não a velha saudade de não mais habitar meus pensamentos.

De ti, nada mais resta que não uma vaga lembrança das risadas, que hoje o tempo se encarregou de aquietar.

Aquiesci a teus ensinamentos, e logo mergulhei em meu íntimo, para dali nunca mais sair. Caminhei vagarosamente pelos caminhos dos devaneios, me deixei levar por ilusões alheias, e cá estou, pacientemente partilhando minhas angústias e meus sofrimentos.

Te amei e te odiei na mesma intensidade com que te conheci. Hoje, não me vejo mais em ti, não te vejo mais em mim.

Sinto muito por ter te deixado, mas foi necessário te perder para poder me encontrar.

Quanto àquele velho suspiro sussurado, terei de com ele conviver até que um dia a eternidade de minha vida se incumba de sufocar-te de vez.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Meia liberdade, hipocrisia absoluta?

É algo surreal. Você é livre, mas nem tanto, para se expressar. Dizer o que sente, dizer o que quer, da forma como quer, simplesmente, se expressar. Mas não pode. Não pode porque eu não vou deixar você fazê-lo. Simples assim.

Tente transpor minhas barreiras, tente me fazer acreditar que as coisas que você diz são reais, que tudo que você imagina pode, de certa forma, se concretizar. Absolutamente que não pode. Não pode porque eu não deixo, porque eu acho que é imoral, porque eu acho que não tem sentido. Somente eu? E daí? Eu falo, eu posso.

Escuta que eu te falo: mais vale a pena ter uma liberdade restrita do que ser restrito totalmente. Certo? Errado! Liberdade restrita não é liberdade, idiota. Basta analisar a palavra. Mas e daí? Quem disse que eu ligo para o que você pensa? Já disse no começo: tudo é limitado.

Como um rolo compressor esmago tuas ideias e teus ideais mais rápido que o lampejo de um raio. E tal qual este, lhe reduzo às cinzas do esquecimento.

Fazer todos acreditar que o mundo é perfeito, e que tudo nele, com tudo que nele contém não nos basta para sermos felizes é o meu propósito. Vá em frente, consuma e se consuma. Enquanto existirem caminhos livres para que sozinho eu trilhe, ótimo. Quando não existirem mais caminhos? Chame de utopia. É bonito.

Mas, e então? O que você ia me propor? Ah, sim, que eu faça aquilo que estou com vontade, pois enquanto você se distrai lutando para comprar tudo que eu faço você acreditar que precisa, eu armo meus jogos, eu massacro meus inimigos ridicularizando-os, e quando você chegar no fim e ver que tudo passou e que nada de valioso você conquistou, eu lhe dou um lugar para que chame de eterno. E que seja eterno enquanto dure, não é mesmo?

É inodoro, mas fede a putrefação. É insípido, mas é amargo. É insensível, mas é cruel. É temeroso, mas confie em mim que eu te faço chegar lá.

Eu devia te dar liberdade, mas te prendo em mim. Devia te dar segurança, mas lhe causo medo. Devia lhe ser justo, mas amo a injustiça que paira sobre ti. 

Deveria, ainda, ser imperceptível, mas o faço sentir todo meu peso sobre teus ombros.

Deveras absurdo, meia liberdade pra quê?...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mistério cintilante

Sorrateiramente vem e furta-me o sono
Elegantemente se exibe negra e cintilante
Outrora em companhia da Lua minha
Agora em misteriosa solidão

Furta-me o sono, mas não meus sonhos
Despe-me da cama em segundos
Ainda que após horas de luta
Não tenha conseguido vencer-lhe, noturna agonia

A causar-me desespero, ao passo que se passam as horas
A dar-me alento em vosso escuro e denso esplendor

Se mal entendida és, é porque na mesma simplicidade que faz aflorar o amor,
desperta o lado escuro do humano ser.

Democrática silenciosa, reina em meu reino de palavras
Ideias e ideais sem fim, quando lhe brindo com ternura
Ó noite soturna.

Simplicidade em um clique

Por que manter a ordem, quando a ordem beira o caos? Porque temos medo do quão perigosos somos ante nosso próprio descontrole; porque não conseguimos ter simplicidade onde a praticidade deveria ser a regra.

Sem desordem não há razão para nos ordenarmos, e com esta, desequilibramos a ordem natural das coisas. Tamanho contra-senso insensato que a sociedade nos faz crer, pois se é natural, como pode ser ordenado?

Há contradição aparente, simples de se explicar e também de se entender.

O momento, aquele raro, onde olhares se cruzam, seja para o amor ou para o ódio, não ocorre de uma ordenação, tal como se predestinado houvesse sido assim concebido. Acontece porque é natural.

Destarte, alhures exposta está a simples maneira de se ver as coisas, os fatos, magicamente transmutados e ordenados para que tenhamos sempre a mesquinha sensação de que estamos no comando, no controle das coisas, quando, na verdade, não há mouse nem teclado em nossos mundos.